segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Felizes são...



Voltei. Já estava a algum tempo sem escrever, mas algo lá de cima me fez ver que isso era muito importante. Tenho lido junto com a igreja que participo o livro Trinta dias para Viver. Só o título jê é inspirador. Quais seriam minhas prioridades se eu tivesse pouco tempo de vida? Penso que é o legado, ou a marca, que vou deixar para esse mundo. Marca essa que posso deixar nas pessoas com quem me relaciono ou com qualquer outra coisa que possa dar continuidade a minha passagem aqui na terra, como por exemplo meus pontos de vista expressos nesse blog.

Sem demoras, gostaria de introduzir uma nova série de pensamentos chamados de Felizes são... baseados nas bem aventuranças. Acho que vai ser bem legal participarmos juntos desses ensinamentos tão incríveis. Vamos lá...

Bem aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos Céus. (Mateus 5:3 pela NVI) A primeira bem aventurança é uma das mais difíceis de entender, pois cai num problema de lingüística para a tradução do português (e talvez outras línguas). Algumas bíblias terminam a tradução em “bem aventurado os pobres”, mas isso nos deixa ainda mais confuso, especialmente em relação aos critérios de Deus sobre a situação financeira, o que, pelo que já conheço de Deus, não vem ao caso. Deus não julga o quanto você ganha ou possui, mas sua atitude em relação em relação a isso. Se ganho muito, mas ajudo os outros com meu dinheiro, estou agradando a Deus. Se ganho pouco, mas sou extremamente egoísta com o pouco que tenho, isso não agrada a Deus. Algumas parábolas de Jesus expressam isso claramente. Por isso não tenho dúvidas de que o sentido aqui não é a pobreza financeira.

Na verdade, li recentemente que o problema desta tradução está no fato de que a palavra empregada foi uma palavra que mudou um pouco de sentido pelo tempo. Um exemplo nosso tosco é a palavra “irado”. Quem nunca escutou essa palavra com o significado de algo muito bom. “Esse carro é irado”. Sabemos que isso não significa que o carro está com raiva! E assim pelas línguas existem muitas palavras que podem mudar um pouco de sentido com o tempo ou de acordo com a situação. Pois bem a palavra que foi empregada realmente significava pobre em suas origens do hebraico. Mas com o tempo foi mudando um pouco o sentido principal. De pobre passou a significar algo com “aquele que depende”  pois não pode sobreviver com as próprias pernas devido a sua pobreza. Por fim, na época de Cristo, essa expressão já significava algo como “aquele que depende de Deus” e já não tinha tanto haver com a situação financeira.

Por isso que chegaram à tradução Pobres em Espírito, pois não se tratava mais de uma pobreza real (e isso precisava ser explicado) mas numa pobreza no sentido de que eu posso ter o que tiver, mas sou pobre no meu orgulho, na minha auto-suficiência, na minha arrogância, não me considero acima de ninguém (um sentimento que infelizmente, de fato, assola muitos ricos) mas sei que estou aqui neste mundo para ser um servo, e ajudar aos outros com o pouco ou muito que tenho. Sei que em tudo dependo da vontade de Deus. O que tenho agora posso não ter depois, e o que não tenho agora posso ter depois, embora que nada disso importe se eu realmente estou na alegria de estar fazendo aquilo que é do propósito de Deus.

Sempre tento escrever meus textos de uma forma que um descrente possa entender facilmente, e possa aceitar aos poucos algumas verdades, mesmo se ainda não acredita em Deus. Mas essa, para quem não crê, fica difícil de degustar, principalmente num mundo em que aprendemos a sermos auto-suficientes e não dependermos de ninguém.  Mas aqui deparamos com uma verdade bíblica muito clara: “Felizes são aqueles que acreditam e dependem de Deus”. Adicionei aqui o “acredita” pois não vejo como alguém poderia querer passa a depender da vontade de algo que nem sequer acredita.

Infelizmente, tive que passa grande parte do tempo apenas explicando o significado lingüístico da primeira bem aventurança. A seguir estarei falando do significado prático dela.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Seja apenas 1



Vocês sabem qual é a principal imagem que a Igreja cristã de hoje passa para o mundo? Amor? Perdão? Ajuda? Não. Hipocrisia seria a palavra certa. Salvo algumas comunidades que realmente conseguem viver o amor ensinado por Cristo, a igreja em geral é conhecida por falar uma coisa que não pratica.

Nós, da igreja sabemos que infelizmente isso é verdade. A ironia é que quando Cristo viveu entre nós e esteve entre sua igreja, o que ele mais combateu foi hipocrisia também. “Sepulcro caiado” (Mateus 23:27) é uma expressão de Cristo que até hoje conhecemos para se referir a algo bonito por fora mas podre por dentro.

Estamos cercados de pessoas as quais percebemos nitidamente um ar de falsidade, de “forçação” de barra. Olhamos para elas e vemos que tem algo estranho. É como se tivessem encenando. A hipocrisia não é difícil de ser percebida.

Uma vez estava em minha igreja quando o pastor começou a orar. Eu tentei acompanhar a oração, mas tudo o que eu escutava era um sujeito ao meu lado orando alto. Era nítida sua busca por palavras rebuscadas e frases de efeito. Parecia um discurso de político feito para o próprio Deus. Tem oração que conforta, mas essa me incomodava. Eu sentia em meu espírito o repúdio àquela falsidade.

Muitos crentes vivem atuando. Na verdade estão carregando um peso que os farão se cansar mais tarde. Já vi muitos freqüentadores de igreja fervorosos que depois de um tempo largaram toda sua fé. Penso eu que muitos desses viviam atuando uma fé que não tinham e se cansaram. Lançaram-se em um fanatismo que ia além da razão e da sensatez. Viam-se fazendo coisas mais para impressionar os outros do que para, realmente construir algo para o reino de Deus.

O pior é que muitos de nós, de certa forma, atuamos de vez em quando. Fingimos não carregar alguns pecados que só Deus sabe que temos. “Afinal”, pensamos, “se , principalmente, um descrente descobrir que pratico os mesmos pecados que ele, como vou ser capaz de dizer que o Espírito Santo nos transforma?”. Escondemos algumas condutas praticando-as em escondido, mas na frente dos outros tentamos ser alguém que não somos.

O que não percebemos é que, geralmente, as pessoas são capazes de perceber nossa falsidade. Não conseguimos esconder tudo por muito tempo. Outro ponto é que muitos descrentes, na verdade, se aproximariam mais da igreja se percebessem que também somos seres humanos com falhas iguais a eles. A transformação que o Espírito Santo opera em nós é muito mais lentamente que gostaríamos. Principalmente quando não somos sinceros em reconhecer os nossos defeitos. Fingir sermos melhores que as pessoas do mundo (como os crentes chamam quem está fora da igreja) apenas afasta elas de nosso meio.

Seja você mesmo. Lute para ser uma pessoa melhor mas não finja ser o que você não é. Admitir fraquezas não afasta ninguém de Deus, mas falsidade sim. Admitir fraquezas, na verdade, pode até aproximar pessoas. Elas se identificam e querem se juntar a você na luta para passar pelas barreiras que são necessárias.

Admitir nossas fraquezas muitas vezes é uma coisa que precisamos antes fazer para nós mesmos. Precisamos enxergar nossas imperfeições para podermos ser mais misericordiosos e termos mais compaixão das pessoas. À medida que abrimos nosso olhos para tudo o que fazemos de errado, temos obrigação de perdoar também os problemas dos outros.

Concluindo, uma das coisas que precisamos mais na igreja de hoje é a sinceridade. Fico imaginando a força que a da igreja teria se ela admitisse ser mais fraca.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Busca de um sentido



Todo homem busca por um sentido nas coisas. Quando crianças, desde o balbuciar do bebê começamos a procurar entender o sentido das palavras. Ao crescermos queremos saber o sentido de tudo o que está ao nosso redor. Tem momentos de nossa infância que não fazemos nada se não soubermos a razão (essa é a hora em que muitos pais perdem a cabeça com seus filhos!). Na adolescência queremos dar um novo sentido as coisas. Mas sempre buscando um sentido. É algo natural nosso.

Como minha vida terá sentido? Que fazer para ela ter importância? Perguntamos. Ter dinheiro, ter sucesso e fama, ter sabedoria e conhecimento? Ter bens, viajar, ter muitas mulheres (ou homens)? Desfrutar de tudo que me dá prazer, de forma abundante? Aproveitar as coisas antes que seja tarde? É o que deixarei para a posteridade, para meus filhos?

Quem pára para pensar vê que nada faz sentido. Dinheiro e bens não significam felicidade, pois parece que sempre se quer mais. O dinheiro e os bens se separarão de você depois de sua morte. Cairá na mão de outros. Se tiver sorte, na mão de pessoas queridas. Mas o fato é que não levamos nada desse mundo. Todos (ricos e pobres) acabamos iguais nesse sentido.

Fama e Sucesso? Que adianta? Para muitos isso significa isolamento e solidão. Alguns atores, atrizes e cantores famosos conquistaram uma fama incrível mas se entregaram a uma vida extremamente problemática. Alguns, quando chegam no topo da carreira se defrontam com o fim da linha, e tudo perde sentido novamente. Até Michel Jordam, o mais famoso jogador de basquete da história resolveu trocar seu esporte pelo beisebol! A fama até fica depois da morte... mas até quando? Algum momento irá se dissipar. E de qualquer forma, você não estará por aqui para usufruir dela.

Vejamos o exemplo de Salomão. A fama dele chega aos dias de hoje. Foi extremamente rico. Teve centenas de mulheres. Foi grandemente conhecido por sua sabedoria e muito bem sucedido em sua "carreira" de Rei. A Bíblia diz o que ele possuía: " Adquiri servos e servas, e tive servos nascidos em casa; também tive grandes possessões de gados e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém. Amontoei também para mim prata e ouro, e tesouros dos reis e das províncias; provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens; e de instrumentos de música de toda a espécie. E fui engrandecido, e aumentei mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria. E tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei " ( Eclesiastes 2:7-10). Mas encontramos em eclesiastes suas declarações desesperadas sobre a vida "E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol " (Eclesiastes 2:11).

Na verdade tentamos procurar dar algum sentido para a vida, ou nos mantemos ocupamos afim de esquecer de dar um sentido a ela. Mas em algum momento você parará para se perguntar sobre este tema. De fato, Deus nos criou para vivermos uma vida com sentido, com um propósito. Enquanto não achamos este propósito não preencheremos este vazio.

Deus quer que encontremos este propósito e nos mostrou como encontrar o sentido para nossas vidas. Mas este sentido, na realidade, só encontramos quando olhamos para o que vem após esta vida. Do que adianta correr atrás de coisas deste mundo que serão perdidas e esquecidas? O sentido está em uma eternidade onde nada acaba, tudo pode ser usufruído sempre, onde o amor é o principal sentimento e a alegria e a paz são contínuas. Viver com essa perspectiva dá um novo sentido a nossa vida aquí.

Só nos adianta então realmente se empenhar e se preocupar em juntar coisas dessa vida que possamos levar para o céu. E sabe o que podemos levar? "Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus." (Lucas 6:35). Esse galardão é como se fosse um prêmio. Não algo que devemos perseguir, mas algo que segue nossas boas ações, virtudes e conduta. E não é algo para este mundo, e sim para a eternidade.

Outra coisa que irá para a eternidade são todos os que se arrependem e aceitam Cristo como salvador. Para isso precisam escutar as boas novas de nós cristãos. O pregar também terá resultados para a eternidade.

C. S. Lewis, um grande pensador cristão, escreveu: “Se você estudar história, verá que os cristãos que fizeram mais pelo mundo presente foram justamente aqueles que mais pensaram no mundo futuro.(...) todos deixaram suas marcas na terra, precisamente porque suas mentes estavam ocupadas com o céu. E foi desde que os cristãos deixaram de pensar no outro mundo que se tornaram tão ineficientes em fazer isso. Tenha o céu como objetivo e você terá uma terra engrenada”.

Passemos então a nos dedicar ao que realmente importa: amar e pregar. Todo o resto deixaremos para trás.

A graça e a paz de Deus estejam com vocês.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Queimar a Bíblia?



Um dia desses estava navegando na internet e “por acaso”, se assim posso dizer, me deparei com um artigo de um blog cujo título era “Vamos queimar a Bíblia”. Lá, li todo tipo de insinuações e insultos a Deus e a Bíblia. Nos comentários alguns cristãos tentavam defender em vão os ataques de ateus.

Não é nenhuma novidade para mim ler ou ouvir esses tipos de comentários. Vale dizer que são comentários honestos e sinceros de pessoas que têm pensamentos e percepções diferentes de nós cristãos e devem ser respeitados. Se eles ofendem o nome de Deus é porque não acreditam em Deus e logo não estariam ofendendo ninguém.

Vejamos alguns dos comentários:
Mas é facilmente possível apontar o quanto a Bíblia é a favor da escravidão, da submissão das mulheres e das crianças, dos sacrifícios humanos e animais, apóia reis e tiranos, separa povos e semeia o ódio entre nações, é inimiga da liberdade e a favor das torturas, ensinou homens a apedrejar até a morte os seus semelhantes, é contrária ao prazer e as alegrias dessa vida em detrimento de uma outra, etc.

Outro foi assim: “Tudo o que posso dizer é que a Bíblia inspirou,e está por detrás dos horrores da Inquisição e dos massacres causados pelas lutas religiosas.Os muçulmanos por exemplo utilizam a “SHARIA”ou seja o apedrejamento até à morte das mulheres adúlteras,com base no que está escrito nos versículos do Velho Testamento.

Esse último o mais duro de todos: “A Bíblia é um livro nefasto e prejudicial à saúde da mente humana, pois ela nos revela um deus que mais parece um psicopata expulso de algum manicômio, capaz de cometer as maiores atrocidades.” (...) “um deus que se enfureceu com Davi (1º Cr. 21:10-14) porque este teria feito o censo, e se vingou no povo, matando 70000 (setenta mil) homens inocentes; um deus que num acesso de loucura e intolerância destruiu duas cidades (Gn. 18:20-24, que num de seus ataques de fúria afogou todos os animais da face da terra, incluindo os humanos (Gn. 6:6-7) só pode ser uma criação das mentes mais cruéis e desequilibradas que já habitou o planeta terra.”.

Bem, quem é cristão sei que ficou com um embrulho no estômago diante das declarações. Mas como disse, devemos analisar qualquer discordância de nossa fé com tolerância, amor e inteligência.

Vejo que muitos que pensam em Deus de uma forma ruim o vê de uma maneira distorcida e incompleta. O julgam como se fosse uma pessoa normal, mas Deus possui uma sabedoria e conhecimento imensuráveis ao nosso entendimento, inclusive sobre o que ainda não aconteceu aos nossos olhos. Deus também não é homem para estar limitado a esta vida nem suas decisões estão limitadas a este mundo.

Baseado nisso, podemos imaginar que se ele pediu algum dia que seu povo realizasse uma ação cruel para matar pessoas ou ele mesmo realizou algum tipo de destruição humana, temos que ver que Deus sabe muito bem as conseqüências se tal fato não tivesse acontecido. Ele sabe que de forma contrária, o sofrimento poderia ser bem pior depois. Vejamos um exemplo grosseiro mas que pode fazer sentido. Quando a Inglaterra teve o problema das vacas loucas, tiveram de sacrificar a maior parte do rebanho para que não pudessem ter uma catástrofe maior no futuro. Se não tivessem tomado tal medida (que parece ser cruel e desumana) todo o rebanho, não só daquele país mas de diversas partes do mundo, poderia ser infectado. As vacas morreriam de qualquer forma depois, e ainda passando por um sofrimento bem maior.

Deus controla o mundo e o universo em suas mãos. Sabe decidir os melhores caminhos, que muitas vezes são os menos ruins, digamos assim. Deus também tem o poder de decidir a eternidade dessas almas destruídas. De acordo com seu amor e justiça, ele poderia muito bem levar o espírito das pessoas mortas para um lugar muito melhor, o que levaria a morte a ser um prêmio, na verdade. Mas a nós cabe-nos apenas confiar na perfeição do julgamento de Deus.

Outro ponto é que nem tudo o que Ele faz deve ser copiado pois só ele tem a capacidade de uma perfeita decisão. A Bíblia nos diz para deixarmos o julgamento e qualquer vingança em suas mãos. "Façam todo o possível para viver em paz com todos. Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: 'Minha é a vingança; eu retribuirei.' diz o Senhor (Romanos 12:18 e 19). Se Deus decidiu criar o dilúvio, foi pelo futuro da humanidade, que poderia ter se destruído de uma forma muito mais cruel algum tempo depois. Isso não nos dá o direito de afogar ninguém, é claro. Deus decidiria depois o que fazer com a alma de cada pessoa ou animal da forma mais justa e amorosa, coisa que não podemos decidir. Não cabe a nós ficar imaginando coisas sobre suas razões, pois elas são baseadas em aspectos que somos incapazes de perceber. Se o homem se atreveu, na história, a tomar o lugar de Deus, como na inquisição, isto com certeza foi um erro que não está baseado nas Escrituras nem nos ensinamentos de Cristo, que na verdade é completamente contra isso.

Mas o que Deus nos diz para fazer, aí sim, isso deve ser obedecido, pois ele sabe as conseqüências de seus ensinamentos. Eles, entretanto, devem ser analisados respeitando a cultura, a lingüística e o momento histórico e a quem foi demandado. Mas isso já seria um outro tema.

Que Deus os abençoe.

domingo, 15 de junho de 2008

Não complique


Como disse um autor que li recentemente, mantenha uma fé crua, uma fé limpa das influências dos homens, mas uma fé inspirada apenas no que vem de Deus e de sua palavra. Não se atenha às leis, mas as razões.

Com o passar dos anos, a igreja tentou inserir na lista de “deveres e condutas” dos crentes muitas coisas que sequer podemos encontrar nas escrituras, leis sobre detalhes de vestimentas e até modelos de como falar. Proibiram-nos várias coisas e fizeram nos envergonhar-mos muitas vezes de ser natural.

Quando digo para se ater apenas às razões eu sou respaldado pelo apóstolo Paulo que disse que “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”. Ou seja, se não bebo não é por uma lei, mas porque na minha embriagues eu posso fazer ou falar coisas que possam ofender ou prejudicar a outros ou a mim mesmo. Mas se posso me controlar quanto à bebida, se esse ato não levar outros a se escandalizarem ou se isso não incentivar outros que não tem controle a começarem a beber, então estou livre para fazer como eu achar certo.

Se não visto certas roupas não deve ser por uma lei, mas pelas razões disso. Será que não desviarei e prejudicarei a atenção dos outros quanto ao louvor a Deus, por exemplo, se vestir algo inapropriado dentro de uma igreja? Será que não estou incentivando as pessoas a verem o corpo ao invés de se preocuparem com o interior, neste caso, mesmo fora da igreja?

Se nos ativermos às leis, com o tempo nos encontraremos cansados e desgastados em nossa fé. O conceito de seguir a Deus vai estar atrelado a estar sob o peso de várias leis que não fazem sequer sentido. Muitos começarão a cumprir essas regras apenas na frente dos outros “que podem o estar vigiando!”. É muito difícil defender causas pelas quais não encontramos razões para isso.

Por isso é que é nosso dever diário conhecer melhor a Deus, seus propósitos e seu amor. Para poder fazer Sua vontade de bom grado. Mas não quero dizer com isso que só devemos cumprir o que entendemos. Algumas vezes os caminhos e preceitos de Deus são impossíveis para nós entendermos. Temos que aceitar que Ele vê muito mais adiante do que conseguimos, fora que Ele tem que lidar com diversas vidas e situações ao mesmo tempo. Por isso, mesmo que algo parecer sem sentido, se vem claramente de Sua Palavra, devemos confiar.

Virão muitos momentos difíceis, mas tente ser firme na fé, mesmo quando não houver explicações para suas dúvidas. Saiba que Deus é bom e justo. Siba também que Deus já criou um lugar e um destino melhor para nós e essa vida aqui na Terra é passageira e não merece tanta lamentação. Estamos aqui para uma missão, para muitas vezes sofrermos e sermos feridos, mas é com a nossa ida ao nosso verdadeiro lar que devemos estar preocupados e ansiosos.

Que a graça de Deus esteja com vocês.

domingo, 30 de março de 2008

Uma escolha a cada momento.


Muitas vezes eu pensei no que consiste dizer que Jesus é o Senhor da minha vida, ou então o que quer dizer se deixar ser guiado pelo Espírito Santo. Para quem não conhece a vida cristã isso pode parecer meio místico, como se você não tomasse mais conta do seu corpo e só ficasse observando seus movimentos guiados por Deus. Mas na verdade, mesmo depois de você declarar que Jesus é seu Senhor e receber o Espírito Santo, a promessa de Deus para todos os que crerem na salvação de Cristo, você continua sendo o responsável por suas atitudes.

O Espírito santo não toma conta do corpo de ninguém, mas habita-o a fim de ser um guia e conselheiro, que fala através de sua consciência e seus sentimentos, dando-o mais conhecimento das vontades de Deus para cada momento. Também faz parte de sua natureza nos encher com mais amor, bondade, paz e alegria (além de todos os outros frutos do Espírito em Gálatas 5:22) à medida que você baseia suas decisões no que você sabe e sente que vai agradar a Deus.

Por isso é que eu penso que viver a vida cristã em sua plenitude não consiste primeiramente em pensar em um estilo de vida, mas em começar a ver a vida em seus detalhes e em cada momento. Melhor, em cada decisão. Pois em muitas dessas decisões nos deparamos com vários lados que nos influenciam: os desejos egoístas (que chamamos de desejos da carne), a influência de outros, a sua consciência (falo aqui de nossa noção de certo e errado) e o desejo do Espírito Santo.

Muitas já ouviram a famosa frase “A vida é feita de momentos” ou “ A vida é feita de escolhas”. Pois bem, acredito que a vida guiada pelo Espírito Santo é aquela que decide seguir o conselho deste Espírito em cada momento de decisão em vez de seguir seu próprio caminho. O caráter cristão é visto pelo conjunto dessas escolhas. E se temos dificuldades de entender a orientação deste espírito (como muitas vezes acontece comigo) sei que é porque não tenho gasto tempo suficiente me dedicando ao conhecimento de sua palavra e principalmente me dedicado à oração.

Mas também existe um grande filtro para se entender a vontade do Espírito Santo. Este filtro está nos mandamentos, resumidos por Cristo, de amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Sabemos que tudo o que foge deste conceito não vem de Deus. Por isso, diante de qualquer dúvida devo sempre pensar se minha escolha está pensando no melhor para as pessoas envolvidas e se está de acordo com o que sei que Deus quer e por isso o está O agradando. E o que Deus quer? “ Que todos se convertam do seu mau caminho(..) (Ezequiel 18:23 ) para desfrutar da união com Ele, a fim de nos dar “ O que nem olhos viram, nem ouvidos ouviram o que Deus preparou para nós.” (1 Coríntios 2:9 ) “Infinitamente maior do que qualquer um pudesse imaginar” .

É claro que viver uma vida que agrade a Deus também se exige planejamento. Isso também é uma escolha. É preciso separar um tempo para planejar como se aproximar mais da vontade de Deus e de como poder ter uma vida cujo amor faça outras pessoas reconhecerem que sua fé faz algo de especial e transformador em você. E para isso é preciso separar um tempo para estudar, para orar e para se envolver em algum tipo de ajuda aos outros. O caráter Cristão não vem do nada, mas sim de muita dedicação, perseverança e muitas vezes auto-negação, a fim de colocar a vontade de Deus (e as vezes as dos outros) na frente da sua. Mas tenha certeza que vale a pena.

segunda-feira, 3 de março de 2008

A igreja e a prática


A vida cristã tem um lado muito desafiador. Aprendemos e pregamos muitos ensinamentos maravilhosos de Cristo a respeito do amor ao próximo, de cuidar dos necessitados, de servir aos outros em suas carências colocando-os como mais importantes que nós mesmos, de orar constantemente entre outros. Mas será que vivemos o que pregamos? Às vezes sabemos de có todos esses ensinamentos bíblicos, já sabemos todo o nosso papel, as vezes até nos cansamos de estar no banco da igreja aprendendo sempre as mesmas coisas, mas existe um abismo enorme entre o saber e o fazer, entre a vida cristã teórica e a prática.

É aí que eu quero chegar quando falamos de igreja, e falo igreja como uma reunião de cristãos (e não um local). Eu penso que aprender as escrituras é só metade da aula e o praticar é a outra metade. Como está escrito em Tiago 4:17 “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.” Para mim, um dos nossos papeis mais importantes como igreja é nos encorajarmos uns aos outros na prática cristã. Para a maioria de nós, uma prática mais pro-ativa cristã seria possível se tivéssemos outras pessoas nos encorajando e nos acompanhando em alguns desafios.

É exatamente como vemos em alguns filmes. O casal de personagens estão sendo perseguidos e estão a beira de uma colina, tento que pular no mar para fugir. Ambos (ou alguns deles) estão morrendo de medo, mas quando seguram um na mão do outros para pularem juntos, parece que a coragem se multiplica. A igreja deveria ser este “lugar” onde seguramos um na mão do outro para dar um pulo para uma vida prática e plena dos ensinamentos de Cristo.

Quando vamos à igreja e nos reunimos com nossos irmãos, muitos até falamos sobre assuntos espirituais, dificuldades e desafios (falo ‘até’ pois muitos nem falam sobre vida cristã), mas quando acaba o culto e cada uma vai para suas casas, em muitas vezes parece que toda aquela comunhão em torno de Jesus acabou. Cada um que enfrente suas próprias dificuldades sozinhos (não falando de Deus, é claro!) durante o resto da semana. Precisamos mudar isso. Precisamos estar mais presentes nas vidas espirituais de nossos irmãos continuamente. Precisamos nos ajudar mais, nos encorajar mais, nos consolar mais, conversar mais, nos envolver mais um com os outros. A final de contas, somos uma família.

Quantos irmãos da igreja estão sofrendo problemas, angústias ou dúvidas e nós nem mesmo sabemos? Falo isso para você e para mim. Nem se quer oramos uns pelos outros pois nem sabemos pelo que orar. Uma vida de oração começa com interesse em saber sobre a vida dos outros, em conhecer o próximo e suas necessidades.

Por isso tudo é que considero tão importante para a igreja hoje o que chamamos de células, ou grupos familiares ou então o discipulado. Formas de aproximar os irmãos em Cristo de uma maneira mais íntima, e porque não dizer, mais espiritual. Formas de ajudar a vivermos o sentimento de igreja nos outros dias da semana. Formas de nos encorajarmos diariamente para fazermos muito mais do que faríamos sozinhos, transformando nosso mundo através de nosso reflexo do amor de Deus.

· Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado; Hebreus 3:13

· E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, Hebreus 10:24

· Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia. Hebreus 10:25

· Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos. Tiago 5:16