domingo

Muitas vezes eu pensei no que consiste dizer que Jesus é o Senhor da minha vida, ou então o que quer dizer se deixar ser guiado pelo Espírito Santo. Para quem não conhece a vida cristã isso pode parecer meio místico, como se você não tomasse mais conta do seu corpo e só ficasse observando seus movimentos guiados por Deus. Mas na verdade, mesmo depois de você declarar que Jesus é seu Senhor e receber o Espírito Santo, a promessa de Deus para todos os que crerem na salvação de Cristo, você continua sendo o responsável por suas atitudes.
O Espírito santo não toma conta do corpo de ninguém, mas habita-o a fim de ser um guia e conselheiro, que fala através de sua consciência e seus sentimentos, dando-o mais conhecimento das vontades de Deus para cada momento. Também faz parte de sua natureza nos encher com mais amor, bondade, paz e alegria (além de todos os outros frutos do Espírito em Gálatas 5:22) à medida que você baseia suas decisões no que você sabe e sente que vai agradar a Deus.
Por isso é que eu penso que viver a vida cristã em sua plenitude não consiste primeiramente em pensar em um estilo de vida, mas em começar a ver a vida em seus detalhes e em cada momento. Melhor, em cada decisão. Pois em muitas dessas decisões nos deparamos com vários lados que nos influenciam: os desejos egoístas (que chamamos de desejos da carne), a influência de outros, a sua consciência (falo aqui de nossa noção de certo e errado) e o desejo do Espírito Santo.
Muitas já ouviram a famosa frase “A vida é feita de momentos” ou “ A vida é feita de escolhas”. Pois bem, acredito que a vida guiada pelo Espírito Santo é aquela que decide seguir o conselho deste Espírito em cada momento de decisão em vez de seguir seu próprio caminho. O caráter cristão é visto pelo conjunto dessas escolhas. E se temos dificuldades de entender a orientação deste espírito (como muitas vezes acontece comigo) sei que é porque não tenho gasto tempo suficiente me dedicando ao conhecimento de sua palavra e principalmente me dedicado à oração.
Mas também existe um grande filtro para se entender a vontade do Espírito Santo. Este filtro está nos mandamentos, resumidos por Cristo, de amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Sabemos que tudo o que foge deste conceito não vem de Deus. Por isso, diante de qualquer dúvida devo sempre pensar se minha escolha está pensando no melhor para as pessoas envolvidas e se está de acordo com o que sei que Deus quer e por isso o está O agradando. E o que Deus quer? “ Que todos se convertam do seu mau caminho(..) (Ezequiel 18:23 ) para desfrutar da união com Ele, a fim de nos dar “ O que nem olhos viram, nem ouvidos ouviram o que Deus preparou para nós.” (1 Coríntios 2:9 ) “Infinitamente maior do que qualquer um pudesse imaginar” .
É claro que viver uma vida que agrade a Deus também se exige planejamento. Isso também é uma escolha. É preciso separar um tempo para planejar como se aproximar mais da vontade de Deus e de como poder ter uma vida cujo amor faça outras pessoas reconhecerem que sua fé faz algo de especial e transformador
segunda-feira

A vida cristã tem um lado muito desafiador. Aprendemos e pregamos muitos ensinamentos maravilhosos de Cristo a respeito do amor ao próximo, de cuidar dos necessitados, de servir aos outros em suas carências colocando-os como mais importantes que nós mesmos, de orar constantemente entre outros. Mas será que vivemos o que pregamos? Às vezes sabemos de có todos esses ensinamentos bíblicos, já sabemos todo o nosso papel, as vezes até nos cansamos de estar no banco da igreja aprendendo sempre as mesmas coisas, mas existe um abismo enorme entre o saber e o fazer, entre a vida cristã teórica e a prática.
É aí que eu quero chegar quando falamos de igreja, e falo igreja como uma reunião de cristãos (e não um local). Eu penso que aprender as escrituras é só metade da aula e o praticar é a outra metade. Como está escrito em Tiago 4:17 “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.” Para mim, um dos nossos papeis mais importantes como igreja é nos encorajarmos uns aos outros na prática cristã. Para a maioria de nós, uma prática mais pro-ativa cristã seria possível se tivéssemos outras pessoas nos encorajando e nos acompanhando em alguns desafios.
É exatamente como vemos em alguns filmes. O casal de personagens estão sendo perseguidos e estão a beira de uma colina, tento que pular no mar para fugir. Ambos (ou alguns deles) estão morrendo de medo, mas quando seguram um na mão do outros para pularem juntos, parece que a coragem se multiplica. A igreja deveria ser este “lugar” onde seguramos um na mão do outro para dar um pulo para uma vida prática e plena dos ensinamentos de Cristo.
Quando vamos à igreja e nos reunimos com nossos irmãos, muitos até falamos sobre assuntos espirituais, dificuldades e desafios (falo ‘até’ pois muitos nem falam sobre vida cristã), mas quando acaba o culto e cada uma vai para suas casas, em muitas vezes parece que toda aquela comunhão em torno de Jesus acabou. Cada um que enfrente suas próprias dificuldades sozinhos (não falando de Deus, é claro!) durante o resto da semana. Precisamos mudar isso. Precisamos estar mais presentes nas vidas espirituais de nossos irmãos continuamente. Precisamos nos ajudar mais, nos encorajar mais, nos consolar mais, conversar mais, nos envolver mais um com os outros. A final de contas, somos uma família.
Quantos irmãos da igreja estão sofrendo problemas, angústias ou dúvidas e nós nem mesmo sabemos? Falo isso para você e para mim. Nem se quer oramos uns pelos outros pois nem sabemos pelo que orar. Uma vida de oração começa com interesse em saber sobre a vida dos outros, em conhecer o próximo e suas necessidades.
Por isso tudo é que considero tão importante para a igreja hoje o que chamamos de células, ou grupos familiares ou então o discipulado. Formas de aproximar os irmãos em Cristo de uma maneira mais íntima, e porque não dizer, mais espiritual. Formas de ajudar a vivermos o sentimento de igreja nos outros dias da semana. Formas de nos encorajarmos diariamente para fazermos muito mais do que faríamos sozinhos, transformando nosso mundo através de nosso reflexo do amor de Deus.
· Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado; Hebreus 3:13
· E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, Hebreus 10:24
· Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia. Hebreus 10:25
· Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos. Tiago 5:16
domingo

Uma das perguntas que me fazem quando falo que Cristo morreu na cruz para nos salvar é: mas porque teve que morrer na cruz para isso? O que tem a morte de Cristo com a salvação? Para muitos, isso não faz muito sentido. Às vezes, muitos de nós cristãos não entendemos bem por que cristo teve que morrer e, muito menos, por que teve de ser numa cruz.
Pois bem, vou falar um pouco da minha interpretação e de como vejo tudo isso.
Primeiramente temos que entender que Cristo foi um sacrifício pago pelos pecados da humanidade. Segundo, temos que entender o que é um sacrifício. Bem, no dicionário Aurélio encontramos duas definições para essa palavra: “privação de coisa apreciada; renúncia em favor de outrem.” Ou seja, é você ceder algo que vai lhe fazer falta (ou que você aprecia muito) a alguma outra pessoa. E geralmente quando você dá algo que lhe importa muito para outra pessoa pode ser por dois motivos: ou você ama muito a outra pessoa ou você está sendo obrigado a isso.
Na Bíblia, podemos encontrar o primeiro caso de sacrifício em Gêneses 4, que relata a história de Caim e Abel. Na verdade, se prestarmos atenção, só quem ofereceu um sacrifício foi Abel. Caim apenas ofertou provavelmente as sobras do que tinha colhido de suas terras, mas Abel, por suas vez, deu a Deus a melhor parte da carne das primeiras crias de seu rebanho. Era algo especial para Abel que estava sendo entregue a Deus. E Deus se alegrou com isso. Caim o fez como que por obrigação enquanto Abel fez por amor.
Então, sacrifício para Deus era (e é) isso: uma prova de amor. Quando alguém, que por amar a Ele, o oferece algo muito especial. O que se desvirtuou disso na história da Igreja, acredito eu, se desvirtuou dos propósitos de Deus. E o que não faltam são exemplos desses “sacrifícios” que deixaram de ser uma prova de amor para ser algo mais parecido com o que Caim fez, uma espécie de obrigação. Veja em Malaquias 1:8. Chegavam a ser “sacrificados” (coloco entre aspas pois a palavra na verdade já não faz mais sentido) a Deus animais cegos e aleijados, ou seja, o que ninguém mais queria, o resto, aí ofertavam a Deus. Veja também Isaías 1:11-18.
Mas voltando no assunto, em virtude dos verdadeiros sacrifícios, Deus se sentia comovido, feliz e amado ao ponto de perdoar e esquecer dos pecados que a pessoa que ofertou havia praticado. Toda vez que alguém oferecia um sacrifício de amor, deus perdoava. Em Provérbios 10:12 está escrito “ (...) o amor cobre uma multidão de pecados”. O sacrifício então virou um gesto de arrependimento dos pecados e gratidão por Deus perdoá-los. Se o pecado era uma “dívida” que separava o homem de Deus (pois Deus não convive com o pecado) digamos que essa divida era “paga” pelo arrependimento no gesto do sacrifício.
Mas o homem sempre volta a pecar. E o homem também tornou o “sacrifício” num ato de obrigação, desprovido de qualquer sentimento. Mas como oferecer a todos, de uma vez por todas, o perdão do pecado e a salvação para viver a eternidade ao lado de Deus? Que ato de amor seria tão forte para tanto? Que sacrifício seria realizado ao ponto de ter um poder permanente? O que poderia “pagar”por tantos pecados? A resposta esta está em João 3:16 “Porque Deus tanto amou o mundo que deu seu Filho Unigênito para que todos o que nele crer não pereçam mas tenha vida eterna.” Um sacrifício tão grande não poderia ser praticado por mais ninguém senão pelo próprio Deus. Cristo então foi o Cordeiro Pascal (esse nome é devido ao fato de o animal cordeiro ser um animal muito comum a ser oferecido como sacrifício). Cristo morreu como um sacrifício para que todos que olharem para ele com arrependimento e amor pudessem alcançar o perdão de Deus de uma forma definitiva (ver Hebreus 10:10).
E a cruz? A cruz representa tanto o altar da oferta (onde os sacrifícios eram oferecidos no templo) como representa o fato de Cristo, que viveu sem pecado, ter atraído para si todo o pecado dos homens que o buscassem como salvação por um ato de fé (ler blog passado). Em Deuteronômio 21:23 diz que o pendurado no maderio (a cruz) é maldito de Deus. Cristo, aquele que assumiu tantos pecados se tornou maldição no lugar dos homens, para que esses pudessem se tornar livres do pecado, mas Cristo venceu o sofrimento e a morte para voltar perfeitamente santo e purificado em sua ressurreição.
Bem, espero que tenham entendido. Qualquer dúvida mandem seus comentários.
segunda-feira

Estou escrevendo este texto para tentar esclarecer algumas dúvidas que alguns conhecidos meus tem. É a respeito da salvação e das boas obras cristãs. A igreja cristã, principalmente a Igreja Católica, infelizmente passou a idéia para o mundo de que era preciso praticar boas ações, doar dinheiro, pagar dízimos ou mesmo evangelizar para poder conseguir um lugar no céu. Mas esse pensamento está errado segundo eu entendo da Bíblia e do caráter de Deus.
Imagine se a salvação viesse apenas pelas “boas obras” descritas acima. Ora, qual seria o peso da balança que iria contabilizar quantas boas obras seriam necessárias em contrapeso com os pecados? Soa meio ridículo este pensamento. Até por que, quem é realmente sensato sabe que nossas melhores intenções são muitas vezes recheadas por egoísmo e individualismo. Muitas vezes fazemos o bem, mas algo dentro de nós está louco para alguém reconhecer isto, me dar algo em retorno depois quando eu precisar, ou que pelo menos me elogiem. Mas não vou me aprofundar nisto. Já falei um pouco deste tema em um blog anterior.
A questão é que se a salvação fosse por obras, Deus estaria incentivando uma legião de seguidores hipócrita. Qualquer ato de bondade seria visto como algo feito por puro interesse. Eu faria o bem, pois estaria ganhando um lugar no céu, e eu pregaria sobre Cristo apenas por causa de minha vida eterna. Seria o fim do amor, pois que amor age pensando em algo em troca? Se Deus é bom como fala as Escrituras, como ele iria ser capaz de criar algo que tiraria qualquer virtude de uma ação bondosa?
Por isso sei que a salvação vem apenas pela fé, como disse Paulo em Efésios 2:8-9: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”. Paulo deixa claro que a salvação vem pela fé, e esta fé é a que acredita que Cristo morreu por nós na cruz para pagar pelos nossos pecados e ressuscito ao terceiro dia (também não vou entrar em um detalhe teológico sobre o razão disto). Parece uma teoria boba, como o mesmo Paulo disse “Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.” (1 Coríntios 1:21). Ou seja, não será por pensamentos filosóficos que se conheceria o caminho da salvação, pois então estariam perdidos os pobres e os ignorantes, mas por crer em um simples e “louco” ato de amor realizado na cruz, pois crer nisso está ao acesso de todos pela fé.
As obras são apenas conseqüência de nosso amor por Deus, aquele que nos ofereceu a salvação. Depois de crer que Cristo nos salvou, poderíamos no trancar em um quarto sem precisar fazer mais nada. Mas seria impossível receber tamanho amor de Deus sem querer propagar esse amor oferecendo a outros. As obras agora não oferecem nenhum bônus a nós em relação a nossa salvação, pois nada mais teríamos a ganhar. As obras agora são reflexos de nossa gratidão e amor. Paulo continua em Efésios 2:10 “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.”
quinta-feira

Todos nós cristãos, pelo menos aqueles que se interessa em ler a Bíblia, deveríamos sabemos que nossa vida não tem muito haver com este mundo que vivemos. Estamos aqui de passagem. Viemos plantar e colher numa terra que não é nossa. Assim como Deus orientava seu povo que quando conquistasse uma guerra não levasse nada do inimigo, assim somos nós, pois estamos em guerra para conquistar almas e corações e não levaremos nada deste mundo. Assim como Cristo veio para servir, assim devemos também estar aqui para servir, e não para ser servidos. (Mateus 20: 26-28) Essa não é nossa terra de descanso e lazer, esse é nosso campo de trabalho, de missão.
Será que nossas vidas mudariam se realmente agíssemos conforme este pensamento? Nossa forma de lidar com as pessoas seria a mesma? Será que inveja, mágoa e desentendimentos continuariam tendo sentido? Será que continuaríamos perdendo oportunidade de demonstrar amor e generosidade sabendo que isso é o que levamos para a eternidade e não coisas matérias?
Quando pensamos nossas vidas como passageiras, que virá uma muito melhor depois, e sabendo que não levaremos nada dela, passaríamos a considerar as pessoas muito mais importantes que as coisas. Na hora de negociar uma compra, na hora de reclamar um defeito de produto, na hora de se defrontar com uma incompetência ou em diversas outras ocasiões, na hora de reclamar uma injustiça, será que estamos preocupados com o “objeto da questão” o com o meu relacionamento com a outra parte? Pois é através desses relacionamentos que temos a oportunidade transformar vidas levando-as a conhecer o amor de Deus, mesmo que para isso percamos algo de material, percamos tempo ou sejamos injustiçados. Mas o que realmente nos importa? Coisas ou pessoas? Se você magoar ou se desentender com alguém, você poderá estar fechando uma oportunidade de levá-la a conhecer o plano divino para a vida dela. Nossa conduta e nossa forma de viver é muito importante. Perder nossa honra, ética, humildade, fé, amor e paciência é como um soldado solto numa guerra sem nenhuma arma, sem colete nem capacete. É completamente inútil.
Em outra área, se vida não é sobre este mundo, será que todas as preocupações, tristezas e frustrações continuariam tendo sentido? Deus tem um plano para cada um, seja para nossas finanças, nossa saúde e nossa paz. Ao contrário do que já ouvi muita gente falando, nosso “sucesso” nesta vida não tem nada haver com nossa fé. Não é por confiar mais em Deus, ter mais fé nEle e construir um relacionamento íntimo com Ele que vai O fazer me dar mais recursos financeiros, mais saúde ou mais paz (no sentido de fora para dentro). Ele sim pode nos dar mais alegria e paz (no sentido de dentro para fora) mas independente das situações pala quais passamos (Filipenses 4:11-12). Se a fé fosse razão para sermos ricos e “abençoados”, como dizem por aí, será que os apóstolos Pedro, Paulo, João, assim como muitos outros seguidores de Cristo que sofreram ou morreram por causa da perseguição teriam sido infiéis a Deus? Teriam eles pouca fé? Claro que não. Mas Eles sabiam que esta vida não importava tanto no sentido deles desfrutarem dela, pois teriam outra mais à frente para esse fim.
Não estou dizendo que não possamos procurar por melhores condições financeiras e conforto na vida, mas isso não é prioridade. E se não alcançarmos, não podemos ficar nos lamentando e achando que Deus é injusto, pois para Deus esse aspecto não importa muito, para Ele tem coisas muito mais importante para as quais pode estar querendo nos usar.
Lembre-se novamente que esta vida tem muito mais de servir de que de desfrutar.
terça-feira

Talvez o texto desta semana não seja tão fácil de entender, mas acho importante falar sobre o tema. Você deve até já estar se perguntando, o que ele quer dizer com esse título? Bem, vou explicar.
A vida cristã está, muitas vezes, dividida entre agir com o desejo e a vontade, e agir com a responsabilidade apenas. Deixa-me explicar melhor. Muitas vezes, não temos um coração generoso, mas somos cobrados pela palavra de Deus a sermos assim, e dividirmos nossos bens, ajudando outros financeiramente. Às vezes, somos preguiçosos e egoístas, mas somos incentivados a largar o que estamos fazendo para ajudar a outros. Por vezes não amamos algumas pessoas ao nosso redor, mas somos levados a agir como se amássemos, ou seja, com atenção, carinho, dedicação etc.
Mas será que agir com a obrigação, sem sentimentos, ainda assim é válido? Ou seríamos considerados hipócritas? Sempre existem aqueles que dizem: “Aja segundo o seu coração!”. Mas não é bem assim. A própria Bíblia diz que o coração do homem é enganoso. Se fossemos esperar para fazer o bem e caminhar com Deus apenas quando sentíssemos vontade... as coisas com certeza não iam andar bem.
Mas não se engane, o agir por responsabilidade, mesmo sem vontade, também é uma atitude nobre. Li, certa vez, um livro que fala sobre as virtudes do ser humano, e a primeira delas é o que o autor chama de polidez (o que seria ser bem educado). Seria o agir COMO SE... como se eu fosse generoso, como se eu fosse simples, como se eu fosse amoroso, como se eu tivesse uma dessas virtudes, mas, na verdade, eu estou apenas procurando ter. Esse “procurar ter” já seria uma virtude em si.
Às vezes, a última coisa que eu quero fazer é pedir desculpas por um ato, pois posso pensar que o outro tem mais culpa do que eu. Mas, eu ajo com certo esforço e contra minha vontade para dar esse perdão, pois sei que é assim que Cristo nos ensinou. Essa minha atitude, que pode parecer não possuir sinceridade, é capaz de desencadear transformações de vidas e relacionamentos para algo melhor. O sentimento de raiva e egoísmo que eu ainda tinha quando pedi desculpas, pode se transformar num sentimento de amor e alegria.
Os sentimentos sinceros vêm com o tempo e devemos buscá-los. Enquanto não os temos, devemos agir com responsabilidade. Isso acontece com o amor, pois somos orientados pela bíblia a tratarmos. as pessoas com amor mesmo quando não sentimos amor. Nas igrejas, por vezes, falamos que amor é uma escolha, e como não seria se o próprio Jesus nos manda amar ao próximo como a nós mesmos? Amar até os inimigos?! Acredito que o amor é escolha e sentimento. Acredito que o amor tem vários estágios. Nos “primeiros níveis” agimos por esforço e dedicação para dar o melhor a quem é objeto de nosso amor e, com o tempo, o “sentimento” de amor realmente brota, e o agir com amor começa a se tornar mais natural. É como o amor de um pai por um filho. Esse amor já está num estágio tão elevado que um pai faz um bem para um filho sem nenhum esforço, mas apenas com alegria. Generalizando, é muito mais fácil sacrificar seus recursos financeiros com um filho do que com um estranho, não é? Pois o amor pelos filhos carrega um grande sentimento.
Com a fé também é assim. Todos temos altos e baixos em nossa fé! Acredito que muitos (e se não todos), mesmo depois de termos dedicado nossos corações à Cristo, nos perguntamos em algum momento: “mas e se Deus não existisse?” ou “e se tudo for um engano meu?”. Não devemos ter vergonha de nossas fraquezas na fé. Se tivéssemos uma fé perfeita Jesus não teria nos incentivado a orar para termos mais fé. Mas é nesse momento de “tempestade” na fé que devemos agir “como se...”, não quero dizer agir com fingimento, quero dizer com esforço para resgatar novamente a confiança em Deus e na Bíblia, buscando por evidências e argumentos que me ajudem a resgatar minha fé sincera.
Como cristãos devemos procurar sentir os sentimentos mais nobres pelas pessoas, mas se não os sentirmos, teremos que nos esforçar para agir como se sentíssemos, sendo obedientes à vontade de Deus, pois o esforço em si já é uma grande atitude.
segunda-feira

Minha memória nem é muito boa, mas uma das frases que mais me marcaram por sua sabedoria (devo ter lido em alguma revista há muitos anos atrás) foi esta: “O segredo da felicidade não é ter o que quer, mas querer o que tem”. Quer dizer o seguinte: quem fica sempre desejando algo mais e nunca está satisfeito com o que tem não vai alcançar a felicidade, mesmo que chegue a atingir (ou adquirir) alguns objetivos, terá sempre algo mais a perseguir. Entretanto, aquele que valoriza e é grato pelas coisas que já possui, procurando desfrutar e viver com prazer da presença delas, este será um homem feliz.
Para alguns, esse pensamento pode até parecer uma acomodação e falta de ambição, mas estão enganados. Dependendo do ponto de vista, olhar muito para frente e esquecer das coisas que estão ao lado é que pode se tornar um grande engano. Alguns desprezam tudo o que lhe cerca no presente devido a uma obsessão ao futuro. Como tudo na vida tem que ser visto com equilíbrio, é bom que se busque por sonhos e objetivos, isto é até natural do homem, mas mais importante ainda é olhar para o hoje, para tudo o que Deus já te deu, as pessoas ao redor que te amam e que precisam de você.
Falando em coisas que marcam, uma das minhas músicas favoritas é uma da Igreja Batista de Lagoinha que diz “Por tudo o que tens feito; Por tudo o que vais fazer;Por tuas promessas e tudo o que és Eu quero te agradecer, Com todo o meu ser(...)” e assim vai.
Tenho experimentado em minha vida que agradecer a Deus e as pessoas ao nosso redor pelas coisas que temos e vivemos me trás uma grande felicidade. Nos momentos em que eu estou mais feliz é quando me bate a maior vontade de agradecer. Nos momentos em que estou mais triste, olhar para as coisas boas que tenho e, para quem tem fé em Cristo, para as promessas futuras, isso me faz encontrar satisfação e alegria novamente.
Procure por motivos e razões para agradecer a Deus e isso lhe trará alegria. Tenho certeza que sempre encontrará algo. Se não for seus bens materiais, se não for sua família e seus amigos, se não for sua saúde, ainda assim agradeça ao Deus que tem e pelo amor de seu filho Jesus, que morreu na cruz para que você pudesse ser salvo, pois há muito mais para se desfrutar na vida por vir do que nesta.
O apóstolo Paulo reforça este pensamento quando diz: “Habite, ricamente, em vós a Palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.” (Col 3.16.)
Mas não só agradeça a Deus, lembre-se também de agradecer a todos aqueles que fazem parte de sua vida. Hoje, não sei por que razões culturais, temos pouca prática de elogiar e agradecer os outros. As pessoas que fazem isso com facilidade ganham rapidamente minha admiração. Também gostaria de ser mais assim e vou me esforçar para isso. Agradecer aos amigos, aos parentes, irmãos de fé e a todos ao nosso redor por cada detalhe que eles têm contribuído para nossas vidas. Isso só vem a manifestar um coração humilde e grato e tem o poder de fortalecer qualquer relacionamento.
Que Deus os abençoe e os ajude em mais esse desafio.