domingo

Por que a cruz?


Uma das perguntas que me fazem quando falo que Cristo morreu na cruz para nos salvar é: mas porque teve que morrer na cruz para isso? O que tem a morte de Cristo com a salvação? Para muitos, isso não faz muito sentido. Às vezes, muitos de nós cristãos não entendemos bem por que cristo teve que morrer e, muito menos, por que teve de ser numa cruz.

Pois bem, vou falar um pouco da minha interpretação e de como vejo tudo isso.

Primeiramente temos que entender que Cristo foi um sacrifício pago pelos pecados da humanidade. Segundo, temos que entender o que é um sacrifício. Bem, no dicionário Aurélio encontramos duas definições para essa palavra: “privação de coisa apreciada; renúncia em favor de outrem.” Ou seja, é você ceder algo que vai lhe fazer falta (ou que você aprecia muito) a alguma outra pessoa. E geralmente quando você dá algo que lhe importa muito para outra pessoa pode ser por dois motivos: ou você ama muito a outra pessoa ou você está sendo obrigado a isso.

Na Bíblia, podemos encontrar o primeiro caso de sacrifício em Gêneses 4, que relata a história de Caim e Abel. Na verdade, se prestarmos atenção, só quem ofereceu um sacrifício foi Abel. Caim apenas ofertou provavelmente as sobras do que tinha colhido de suas terras, mas Abel, por suas vez, deu a Deus a melhor parte da carne das primeiras crias de seu rebanho. Era algo especial para Abel que estava sendo entregue a Deus. E Deus se alegrou com isso. Caim o fez como que por obrigação enquanto Abel fez por amor.

Então, sacrifício para Deus era (e é) isso: uma prova de amor. Quando alguém, que por amar a Ele, o oferece algo muito especial. O que se desvirtuou disso na história da Igreja, acredito eu, se desvirtuou dos propósitos de Deus. E o que não faltam são exemplos desses “sacrifícios” que deixaram de ser uma prova de amor para ser algo mais parecido com o que Caim fez, uma espécie de obrigação. Veja em Malaquias 1:8. Chegavam a ser “sacrificados” (coloco entre aspas pois a palavra na verdade já não faz mais sentido) a Deus animais cegos e aleijados, ou seja, o que ninguém mais queria, o resto, aí ofertavam a Deus. Veja também Isaías 1:11-18.

Mas voltando no assunto, em virtude dos verdadeiros sacrifícios, Deus se sentia comovido, feliz e amado ao ponto de perdoar e esquecer dos pecados que a pessoa que ofertou havia praticado. Toda vez que alguém oferecia um sacrifício de amor, deus perdoava. Em Provérbios 10:12 está escrito “ (...) o amor cobre uma multidão de pecados”. O sacrifício então virou um gesto de arrependimento dos pecados e gratidão por Deus perdoá-los. Se o pecado era uma “dívida” que separava o homem de Deus (pois Deus não convive com o pecado) digamos que essa divida era “paga” pelo arrependimento no gesto do sacrifício.

Mas o homem sempre volta a pecar. E o homem também tornou o “sacrifício” num ato de obrigação, desprovido de qualquer sentimento. Mas como oferecer a todos, de uma vez por todas, o perdão do pecado e a salvação para viver a eternidade ao lado de Deus? Que ato de amor seria tão forte para tanto? Que sacrifício seria realizado ao ponto de ter um poder permanente? O que poderia “pagar”por tantos pecados? A resposta esta está em João 3:16 “Porque Deus tanto amou o mundo que deu seu Filho Unigênito para que todos o que nele crer não pereçam mas tenha vida eterna.” Um sacrifício tão grande não poderia ser praticado por mais ninguém senão pelo próprio Deus. Cristo então foi o Cordeiro Pascal (esse nome é devido ao fato de o animal cordeiro ser um animal muito comum a ser oferecido como sacrifício). Cristo morreu como um sacrifício para que todos que olharem para ele com arrependimento e amor pudessem alcançar o perdão de Deus de uma forma definitiva (ver Hebreus 10:10).

E a cruz? A cruz representa tanto o altar da oferta (onde os sacrifícios eram oferecidos no templo) como representa o fato de Cristo, que viveu sem pecado, ter atraído para si todo o pecado dos homens que o buscassem como salvação por um ato de fé (ler blog passado). Em Deuteronômio 21:23 diz que o pendurado no maderio (a cruz) é maldito de Deus. Cristo, aquele que assumiu tantos pecados se tornou maldição no lugar dos homens, para que esses pudessem se tornar livres do pecado, mas Cristo venceu o sofrimento e a morte para voltar perfeitamente santo e purificado em sua ressurreição.

Bem, espero que tenham entendido. Qualquer dúvida mandem seus comentários.

3 comentários:

Unknown disse...

Muito bom conteudo, falr da cruz nossa é essencial, Deus te abençoe sempre
Graça e paz

Anônimo disse...

Oi tiago, muito bom seu prisma colocado sobre a Cruz de Cristo, lendo-o, me lembrei de uma frase colocado pelo Pr. Ivênio dos Santos de B.H. que diz: " A cruz de Cristo nos nivela por baixo" é na cruz que somos todos um, iguais, com a mesma essência diante de Deus !!
Deus te abençoe, vai firme no seu blog.
Marcelo Costa - Natal - RN

Acampa São Paulo disse...

Irmão,

suas reflexões são uma bênção.
Q Deus te capacite a escrever cada vez mais.

Um abraço